Esta é a história do Contista que se refugiou na poesia para dizer de forma simples, a certa pessoa, o que Ela é: “Por Ela Eu lançaria metal em um dos dedos”, a primeira estrofe que escreveu. O Contista não quer fazer isso, o medo do que “Ela” irá dizer o faz relutar; a maioria dos poetas faz de seus objetos intocáveis imaginações. No entanto, sua “Musa” é diferente, como todas: o faz sentir-se bem, como tantas outras faziam com outros poetas. Por isso era um contista, mesmo escrevendo poesia: fez do objeto, da “Musa”, um comum Ser que o levou a escrever que “Ouviria JJ e faria planos de família”. Não conseguiria, conclui: já estava sendo um sendo um poeta: exagero nas expressões, isto assusta as pessoas.
Lembra-se dela com as emoções exaltadas, e escreve no pedaço de papel, “Faria sua pior amiga sofrer de paixão por mim, só pra vê-la nervosa; pra ouvi-la me chamar de ‘Maluco!’.”. Após este último verso, para; e pensa, “Será que o Contista não sabe rimar, ou a poesia não precise, necessariamente, de rimas?”. Um pouco dos dois.
Lembra que algumas vezes ouvira algo da boca de um cabeludo, e resolvera homenageá-lo: “Eu também limparia os trilhos do metrô.”. E continua no verso, “E construiria uma estação só pra rirmos um do outro.”. Para.
Ela vai pensar que é pra Ela, vai brigar com Ele, sabe que vai: “Não lhe dou este direito!”, é o que provavelmente diria. Mas que mulher é essa que nem ao menos autoriza alguém a tentar amá-la? Eu me pergunto, fazendo o Contista se perguntar. O contista sorri, mas assim que percebe a situação, interrompe-se: “Um Poeta sorriria, ou choraria, ao descobrir que Ela não o autoriza?”. Faz, e pensa tudo de uma maneira que jamais seja poética. Mas como já dito acima, não consegue.
“Sorriria toda vez me lembrasse dela. Faria das coisas sérias, boas gargalhadas.”. Precisa terminar o Poema; e já sabia como: se perguntaria o que Ela faria por Ele, “E Ela, o que faria por mim?”. Essa nem o Contista, muito menos o Poeta-contista pode responder, Ele não é Ela, e talvez nem Ela saiba a resposta. “Não importa!”, escreve seu grito solitário; “Sonhar com JJ não faz mal.”.
"Um contista se preocupa com o entendimento de seu conto; um poeta deveria se preocupar com entendimento de seu poema?” “Sim!”, mas é inútil: ninguém interpretará, ou saberá o que está escrito, como Ele deseja; como sua vontade quer. A poesia é particular, e o conto pode ser universal.
O Contista não deseja deixar na poesia, assim, talvez, como desejo, rastro de que esteja amando-a. Porque Ele não a ama, talvez ainda; talvez dependa dela, talvez dependa dele. Mas queremos deixá-la na dúvida, fazendo-a perguntar-se, “O Poetas-contistas estariam apaixonados por mim?”. E podemos conseguir, Eu, e o Poeta-contista: porque a verdade dos sentimentos, para o Poeta, assim como para o Contista, pode ser negligenciada.
Por Beija Flor? Sim, esse é dele(a).
P.s.: Risos? Imagina...
P.s. 2: não se sabe se "Dedicado à", "À", ou ainda "Para" Eleanor Rigby.
domingo, 21 de março de 2010
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